Musicóloga,Mestre em Ciências da Educação em Música (Havana - Cuba)- Pós-Graduação em Educação Artística (São Paulo) - Licenciatura em Artes - Bacharelado em Música – Piano( Rio de Janeiro)- Vice Diretora e Coordenadora Cultural do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez
- Diretora do Projeto Acêrvo Cultural de Montes Claros
- Professora de Piano,Regência, Percepção Musical,História da Música e Folclore do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez
- Professora Titular da UNIMONTES
- Fundadora do Curso de Educação Artística/FUNM
- Vice – Diretora do Curso de Educação Artística/FUNM
- Diretora em Exercício da Faculdade de Educação Artística/FUNM
- Membro do Conselho Diretor da FUNM
- Fundadora e Primeira Coordenadora de Cultura da UNIMONTES
- Coordenadora de Cursos de Pós – Graduação em Arte – Educação/UNIMONTES
- Diretora do Projeto MUSICAMPUS - UNIMONTES
- Membro do Conselho Universitário da UNIMONTES – CONSU
- Chefe do Departamento de Artes - UNIMONTES
Sentir renascido faz muito sentido à minha emoção.
Ver filho crescido nos faz mais garrido com muita razão.
Ser favorecido com recém-nascido é consagração.
Por Deus assistido também por cupido canta coração.
BEBÊ DE SONHOS
Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
Emocionada, Dancei ao som da brisa suave Que foi a notícia da sua chegada...
Encantada, Assisti o seu bailar mágico No ventre da sua mamãe...
Serena, Ao saber do quanto Já é amado, querido e esperado...
Agradecida, Pelo privilégio de ser vovó E mais uma vez vivenciar o milagre da vida...
Sensibilizada, Com a minha audácia De, por você, me sentir poeta.
ISADORA
Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
Amo você porque amo
A alegria renovada,
E o amor que me derramo...
Amo você porque amo
A fé revitalizada,
No grande amor que proclamo...
Amo você porque amo
O sentir abençoada,
Nesta emoção que aclamo...
Amo você porque amo
Ver assim coroada,
A união dos que amo...
Ah Isadora encantada!
Amo você ao sentir
Nossa vida transformada
E a emoção eternizada...
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Para Isadora, minha netinha muito amada, no seu 1º aniversário.03/07/2011
OUSADIA
Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
Se não nasci para poeta ser porque insisto em remexer em todas estas lembranças?
Sou ousada por natureza sinto isto com a clareza de vivências inconfessas.
Vivências amargas ou doces que sempre vem em alvoroces com o coração as avessas
Com lembranças em eclosão imagens, sons em explosão memórias de muitas andanças.
Se posso musicar um sonho, de outros recursos disponho, para registrar sem cobranças
Mas quero compor poesia espero não ser heresia o meu bailar de esperanças...
ENCANTOS NOTURNOS
Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
E é quando a noite vem, que as idéias se atrevem, a aflorar em minha mente...
Bailam e cantam em sintonia, ouço anjos em harmonia, acolhedoramente...
Dormir não me parece, idéia que favorece, temporalmente...
A noite sempre me encanta, como estrela que abrilhanta, abrasivamente...
No infinito ficar, quero aqui declarar, muito solenemente...
Amo a noite com loucura, sinto em mim toda ternura, encantadoramente.
ETERNA BUSCA
Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
Sonho, danço, canto e vou... sentir outros ares e mares, na busca eterna dos éteres.
Sonho, danço, canto e vou... leve e solta como folha, como brisa, por escolha.
Sonho, danço, canto e vou... no ballet , folha e vento, da natureza o talento
Sonho, danço, canto e vou... em busca do infinito, tudo, tudo tão bonito.
Sonho, danço, canto e volto... para acordar de mansinho vida atual, meu caminho.
DESENCANTO
Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
Ao caminhar pela vida Deparei com o desencanto Tal e qual ave ferida Me recolhi no recanto...
No recanto onde as almas Buscam arrego e conforto Sons, perfumes alfazemas Da vida, seguro porto...
Desespero cai em pranto Gota a gota a lavar Todo este desencanto Do coração a sangrar...
Se pudesse pelo menos Uma canção dedilhar Eu encontraria drenos Para a tristeza afastar.
BAILANDO COM A MENTE
Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
Ontem, brincando com lembranças, imagens de um Liszt espirituoso acabou por tomar todos os meus pensamentos e, como consequência, em um impulso, foram aqui registradas.
Neste bailado de memórias, entrei na máquina do tempo e, de repente me senti com os meus dezesseis ou dezessete anos, época em que, orgulhosamente, a minha mãe oferecia a todos os visitantes, como brinde e oferta da casa, a minha execução ao piano da famosa Rapsódia Húngara nº 02 de Liszt.
Que tempo lindo! Tínhamos aulas de piano com um anjo chamado Maria Ignês Maciello de Paula que, generosamente encaminhava os seus alunos para um outro anjo chamado Marina Lorenzo Fernandez, que também por sua vez, nos fazia viajar de trem de ferro ou de ônibus para Belo Horizonte, em uma estrada ainda não totalmente asfaltada, para aperfeiçoarmos a nossa técnica pianística com o Professor Pedro de Castro, então mui digno Diretor do Conservatório em Belo Horizonte.
Leveza de ser, de pensar, de agir. Era mesmo uma confraria. Todos por um e um por todos. Éramos uma família harmônica tradicional em todos os sentidos. Nenhuma dissonância hoje perfeitamente aceitável e natural, marcava presença naquele clã deliciosamente aconchegante.
Esta atitude da minha mãe, na verdade era fruto da uma orientação dos mestres do piano e que ela levava muito a sério. Precisávamos sempre de uma platéia para aprendermos a lidar com a emoção diante do público.
Ah... a minha mãe ! A Dona Nenzinha se encantava com a Rapsódia nº 02 e, como um pavão, assistia a sua filhotinha fazer malabarismos sobre o teclado para o encantamento de todos, pois esta peça é a segunda e mais famosa obra de um conjunto de 19 rapsódias compostas por Liszt e que atingiu grande popularidade, por permitir ao pianista revelar e explorar todo o virtuosismo característico da escola romântica.
Consiste esta técnica, na repetição de uma nota seguida de sua oitava superior e, posteriormente, numa nova repetição da mesma nota. A rapsódia que começa com um “Lento a capriccio”, segue com um “Andante maestoso” no "Lassan",para depois na “Friska”, em um "Vivace" não menos virtuosístico, com os seus saltos tanto na mão esquerda como na direita, exigir grande reflexo do instrumentista, com a célula rítmica colcheia pontuada / semicolcheia.
Não apenas em nossa casa, esse colosso pirotécnico, arrebatado e hilariante, era também sempre importante para um “gran finale” nos concertos e recitais.
Insistentemente, a imagem linda da minha mãe, enérgica porém sutil, generosa, mas sempre muito firme, baila em minha mente, ao som cigano de todo o talento e vivência húngara de Liszt.
Quantas saudades mamãe...
UMA TELA DE RENOIR AO SOM DE DEBUSSY
Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
Eu devia estar com os meus dezesseis anos e já era considerada uma velha professora do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, isto porque naquela época, em uma estrutura curricular bem diferente e, já possuindo todos os diplomas necessários, fui emancipada em cartório, pelos meus pais, a pedido da D. Marina Lorenzo Fernandez que precisava de professores. Com a emancipação, eu poderia lecionar legalmente, apesar da pouca idade. Comecei por lá aos treze anos.
Neste tempo, não se vinculava a série escolar musical à série da escola regular. Na mesma classe, atendíamos todas as idades, daí que, antes dos meus quinze anos, eu lecionava para alunos crianças, adolescentes e adultos. Muitas vezes, na mesma classe, atendíamos avôs com os seus netos. Éramos uma família. Todos juntos e sempre com muita alegria. Parecia que toda a cidade ali estudava, respondia presente e amava aquela casa de arte, em uma harmonia sempre perfeita.
O conservatório parecia ser o centro do mundo!
Sim, estávamos em uma cidade do interior mas, pelos contatos da Dona Marina, recebíamos os maiores nomes do Brasil, em todas as áreas da arte, como também, continuamente viajávamos para nos aperfeiçoar nos grandes centros.
Ali era o meu paraíso, a minha alegria, a minha vida.
Somente sabia a hora de entrar, nunca a de sair. Por lá eu alimentava o meu espírito, a minha alma e, como eram perfeitos os meus colegas, alunos e amigos. Ou melhor, não havia separação entre alunos, colegas e professores. Jogávamos no mesmo time, sempre comandados por esta figura divina chamada Marina, filha do grande compositor brasileiro Lorenzo Fernandez.
Juro que muitas vezes não a via como humana. Parecia ter sido extraída das Galáxias ou ter caído do céu para a nossa felicidade. Com esta criatura maravilhosa, aprendemos a ser, pensar, agir, falar e fazer música com o coração.
Que tempo mais lindo!
Tantas imagens, tantos sons e quantas cores. Neste momento, a minha mente mais parece uma tela de Renoir sonorizada com a música de Debussy.
MONTES CLAROS EVOLUIU MESMO, TEM ATÉ ESCOLA PARA FANTASMA !
Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
No Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, o trabalho era muito sério. Aquela casa era o centro intelectual, artístico, sensível e efervescente dos Montes Claros das Gerais.
Além de abrigar aspirantes, artistas e arteiros da região, também era muito comum recebermos figuras relevantes do cenário nacional e internacional, como os pianistas Jacques Klein,( me lembro como hoje, o famoso virtuose Arnaldo Cohen, ainda estudante, o acompanhando por aqui), Nelson Freire, Miguel Proença, o criador da Escolinha de Arte do Brasil Augusto Rodrigues, o grande compositor nacionalista brasileiro Francisco Mignone, Álvaro Apocalipse com o teatro, a soprano Maria Lúcia Godoy, Bartolomeu Queiroz, isto sem contar com os que vinham uma vez e que logo se entrosavam a ponto de permanecerem quase como frutos da terra, como os Maestros Sérgio Magnani, Geraldo Fiqueiredo, Aloysio Saliba, o cantor lírico Marcos Tadeu Miranda, o professor Joaquim que introduziu o ensino de ballet na região e Liana Menezes com o seu glorioso trabalho à frente do nosso teatro, ao lado do seu esposo Conrado, mestre da pintura.
Com tantas situações que cruzam a minha memória neste momento, impossível lembrar todos os nomes que por aqui passaram e plantaram tão boas sementes que estão a frutificar por este mundo afora.
Lado a lado com a intelectualidade artística, o humor sempre estava presente em situações deliciosamente divertidas. Era deveras um prazer estar naquele espaço.Garis que limpavam a rua imitando com a voz, às vezes em falsete, os sons dos intrumentos, a muito querida Professora Lucinha Teixeira que sempre tinha na ponta da língua uma anedota para cada situação e a sempre feliz e amada Professora Cecy Tupinambá de Ulhôa que, com o olhar, e com insinuações inteligentes e sutis, fazia leve e bem humorada, toda e qualquer situação.
As saudades são muitas e a minha alma sorri ao lembrar tanta felicidade...
Geralmente nos fins de semana, ao findar as aulas, íamos para a Hora Dançante “Juventude em Brasa” do Automóvel Clube. Não dá mesmo para esquecer. Nunca experimentei o famoso “chá de cadeira”, pois naquela época, as mocinhas jamais ousavam chamar um rapaz para dançar, ficavam a mercê dos garotos. Ah, como Deus foi generoso para comigo até em situações como esta. Fui o maior pé de valsa, pois os meus alunos não me deixavam sentada nem por um minuto.
Me lembro dando aulas, em uma mesma sala para o Armeninho Graça,Clarice Maciel, Yuri Popoff,Olavo Mendonça ...
As memórias são tantas... são tantos os nomes que por nossas mãos passaram e que hoje são referências nas diversas áreas de arte no cenário nacional e internacional que nos enche de orgulho.
Mas um fato muito pitoresco ficou em minha mente...
Era muito cedo e, especialmente naquele dia, fazia muito frio quando eu me encaminhava para começar o meu dia de trabalho. O prédio do Conservatório, anteriormente sede do Clube Montes Claros e que fora desapropriado pelo Governo do Estado para alojar a nossa casa de arte, ficava em uma esquina do centro da cidade.Prédio pomposo, estrutura sólida e do qual tínhamos muito orgulho.Nesta manhã, ainda sonolenta, estava a cruzar a rua quando, sentado na escadaria da esquina do conservatório estava um senhor,conhecido por ser de uma tradicional família montesclarense, finalizando a sua noitada de farras e bebidas.
Eu chegando para começar o dia e ele finalizando a noite. Foi então que me chamou dizendo: ô mocinha, você já viu como a nossa Montes Claros está evoluída? Virou metrópole mesmo uai! Depois que esta escola chegou aqui, estão educando as duas dimensões. Viche Nossa Senhora,agora temos por aqui até escola para fantasma, ouça só. E com gestos teatrais, bastante dramáticos, imitava os grandes cantores enquanto repetia os vocalizes que vinham das aulas de canto:a,i,a,i,a,i,a,i,a,i,a........... u,i,u,i,u,i,u .....e lá se foi tal e qual um equilibrista bêbado,com passos trôpegos, pelas ruas da cidade. Infelizmente creio que o seu rosto de felicidade iria em pouco tempo se transformar ao chegar em casa...
Esta é a Montes Claros que amo !!!
AQUELA RUA ...
| Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
Chamada Daniel Costa, depois Coronel Luís Pires, apenas dois quarteirões, aquela rua era o sonho de muitos. A Avenida Deputado Esteves Rodrigues, conhecida por todos como Sanitária, somente inaugurada em 1982, ainda não existia, eram apenas dois quarteirões da Santa Casa até o Rio Vieira.
Seu Ernesto, Mário Ribeiro,Dona Gladys, Coronel Georgino, os Maias, os Melo Franco , Crusoé, na esquina o Seu Édson...turma que depois em uma festa no Automóvel Clube foi alvo de um comentário da nossa muito querida Jacy Ribeiro, “ é, o nosso pedacinho de rua é mesmo muito especial , veja só Raquel, quantos valores intelectuais e morais em um espaço tão pequeno”.
Alguns moradores da Irmã Beata frequentavam o nosso espaço encantado como os Quadros, Queiróz,Gonzaga e Lopes. A Praça da Santa Casa, sem qualquer calçamento, era um tobogã de lama quando chegavam as chuvas, mas a Cel. Luis Pires era calçada, graças ao período de vereador do nosso pai.Dois quarteirões, mas calçada, o que nos enchia de orgulho, pois podíamos correr e brincar pela rua, com as nossas recém lançadas sandálias havaianas, sem o risco de termos o traseiro respingado de lama.
Ali fomos felizes, brincávamos, corríamos, sonhávamos, dançávamos, cantávamos, fazíamos músicas, serenatas,trocávamos livros proibidos para lermos as escondidas, dividíamos idéias de alto nível como também fazíamos brincadeiras para agitar os mais velhos assim como desligar os relógios das casas e tocar campainhas para depois cairmos de rir observando as reações.
Época de sonhos...
Hoje, centro hospitalar e farmacêutico, o encanto da Coronel Luís Pires insiste e persiste na mente de todos nós como celeiro para as nossas produções artísticas e culturais. Quantos intelectuais sonharam naquele espaço mágico !
UM ANJO CHAMADO CORI GONZAGA
| Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira
Ah ... o menino Cori !
Nunca verei outro tão lindo e tão sensível. Cabelos cor de mel, rostinho de anjo, Cori sempre estava por perto, não sei se para nos energizar ou simplesmente para tornar mais leve e fazer fluir a nossa emoção.
Juro que muitas vezes consegui enxergar asas em Cori !
A pacata Rua Coronel Luís Pires que ainda tinha apenas dois quarteirões, todos os dias era acordada com Mozart, Scriabin, Beethoven, Bach, Liszt, Mendelssohn e outros tantos compositores, isto sem falar das inúmeras técnicas de Hanon, Beringer e Clementi com as suas intermináveis escalas, terças, sextas e oitavas dobradas que diariamente a minha dedicação e emoção, juntamente com a firmeza de vontade da minha mãe, a Dona Nenzinha, faziam ecoar o som do piano por toda a vizinhança.
Ninguém reclamava.
Vizinho neste tempo era coisa séria, laços afetivos muitas vezes maiores que de parentes, éramos quase irmãos naquela época em que vivíamos com as portas abertas para a afetividade e o carinho.
E lá estava o menino Cori...
De cócoras no murinho do jardim ou no nosso alpendre, hoje chamado por todos como varanda, todos os dias, por horas e horas era o meu companheiro e talvez a minha força e inspiração para enfrentar os trinados, legatos e staccatos da rotina de qualquer estudante de piano.
O sol dos Montes Claros, ardia em sua cabecinha, mas ele parecia não sentir.A felicidade refletia em seu lindo rostinho de menino com alma de artista, muito querido por todos.
Anjo Cori, hoje respeitado por sua musicalidade e por seu talento nas inúmeras canções que ecoam nas vozes dos nossos jovens, me faz sentir saudades de um tempo em que trocávamos energia em um clima de carinho, respeito, afetividade e muito amor.
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