Amigos da Arte e Cultura

sábado, 15 de agosto de 2009

FESTAS DE AGOSTO EM MONTES CLAROS



I Por: RAQUEL CRUSOÉ LOURES DE MACEDO MEIRA

Começa a ventania, a natureza se enfeita com cores vivas, a música está no ar, o ritmo dançante e vivaz alegra o nosso coração, a nossa alma e o nosso espírito।

É agosto nos Montes Claros das Gerais e com ele as suas festas। A nossa emoção se enfeita com laços e fitas para homenagear Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Divino Espírito Santo, juntamente com os catopês, marujos e caboclinhos।

São três dias de festas que ocorrem por quase duzentos anos e que acontecem na segunda quinzena de agosto, como uma festividade religiosa - profana e que no nosso entendimento, é historicamente do mais alto valor para a nossa cultura। Encontramos manifestações da religião católica como o levantamento de mastros, missas e bênçãos. A participação para muitos que se apresentam nos desfiles é o cumprimento de promessas ao santo que os socorreu com alguma graça. O caráter profano está ligado às danças folclóricas de origem africana, portuguesa e ameríndia, com os catopês, marujos e caboclinhos.

Toda esta “festança” é praticamente uma réplica das comemorações ocorridas por ocasião da coroação de D। Pedro II em 08 de setembro de 1841.

Segundo o historiador Hermes de Paula, “ depois do cortejo ou passeata com a efígie do imperador, foram permitidos vários divertimentos durante três dias”(1), porém, ainda segundo o mesmo autor,” a mais antiga notícia sobre o assunto é datada de 23 de maio de 1839, quando Marcelino Alves pediu licença para tirar esmolas para as festas de Nossa Senhora do Rosário e Divino Espírito Santo, que pretendia fazer nesta freguesia”।(2)

Os catopês, marujos e caboclinhos abrem os desfiles para a corte que, sempre primorosamente se apresenta com toda a pompa: rei, rainha, príncipes, princesas e pajens। Os desfiles que acontecem durante os três dias pelas ruas centrais da cidade, finalizam na Praça Portugal onde, na Igreja do Rosário é celebrada uma missa e logo após, os festeiros oferecem um almoço para todos os participantes.

No entanto, o início real da festa, começa sempre na noite anterior em frente à mesma igreja, com o levantamento do mastro com a imagem do santo que será homenageado no dia seguinte। A felicidade, a fé, a religiosidade, o encontro de amigos, a comilança de pratos típicos em uma confraternização única, fazem destes três dias,uma ocasião imperdível em nossas vidas.

Pensando o folclore como uma ramo dinâmico da antropologia cultural e como identidade do povo, algumas inovações naturalmente acontecem। A tradicionalidade, tão defendida por alguns, segundo o nosso entendimento, não é violada com as alterações que não fazem perder em nada, o sentido e o valor real do acontecimento. O tradicional que entendemos não cheira a mofo e, o folclore como identidade do povo, precisa dinamicamente acompanhar e representar este mesmo povo. Com este pensar, a apresentação de bandas de músicas, a presença de escoteiros, fogos de artifícios e barraquinhas vieram para acrescentar na alegria, chegaram para enfeitar e colorir ainda mais estas festividades do Montes Claros das Gerais .

VIVA O AZUL DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO!
VIVA O ROSA DE SÃO BENEDITO!
VIVA O VERMELHO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO!

VAMOS COLORIR MAIS AINDA A NOSSA CIDADE, GENTE !!!!!

1 - PAULA, Hermes de: Montes Claros, sua história, sua gente, seus costumes. Volume III, Montes Claros, 1979, pág. 138
2 - PAULA, Hermes de: Idem

7 comentários:

  1. Raquel o texto está muito bem trabalhado! Eu não sabia que tantos fatos assim contribuiram para as Festas de Agosto de Montes Claros. Realmente é um texto incrível que as pessoas precisam conhecer. Da-me alegria ao ler um texto rico em conhecimento e saber, a população mineira precisa saber mais de suas raízes e você contribui para isto de forma enriquecedora!

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  2. Oi Raquel, ler vc é sentir o batido dos tambores do catope, seu texto remete a saudade e informação. Falou com muita responsabilidade da nossa mais bonita cultura ... maravilha..Bjs Nalva

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  3. Raquel... this is beautiful!!! I love all I can see and read... and there are pictures of the children from 20 years ago... uauuuuuuuuuuu!!! Por favor continue with this maravilhoso blog spot... Obrigado...

    Your Terry

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  4. Minha doce amiga: Vc é demais em tudo que faz! Sinto-me realmente privilegiada por ser sua amiga.
    Bjs,
    Naria Luiza

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  5. Excelente, Raquel. Mais do que excelente, muito bom mesmo. Como você pediu comentários, informo que as barraquinhas, embora aconteçam nos mesmos dias, são parte do Festival Folclórico e não das festas de agosto propriamente dita. Alguns catopês se ressentiam porque eram armadas na praça Dr. Chaves, tirando o povo da Praça Portugal, onde erguem os mastros. Desde o ano passado, as barraquinhas e shows do festival se mudaram para a Coronel Prates, pertinho da capela do Rosário e acredito que ficou melhor para todos. Da minha parte, aceito mudanças quando surgem naturalmente, pois o folclore é vivo, e muitas vezes as mudanças são as responsáveis pela a continuidade da festa. Ex: meninas como caboclinhos. Houve um tempo que apenas os meninos faziam parte. Eles se tornaram arredios e as meninas chegaram. Sem elas, talvez não existissem mais os caboclinhos. Eu não gosto de mudanças que surgem sem razão de ser, impostas, como fez o terno de marujos do Miguel.Logo do mestre Miguel, tão bonito. Eles abandonaram a roupa tradicional vermelho e azul com rendas, em favor de um uniforme branco de marinha, confundindo marujada com marinheiros, apenas porque em outras cidades os marujos saem de branco. Enfim, desvalorizando o que é nosso. Também nunca entendi porque a cor para São Benedito mudou de azul para rosa, e a para Nossa Senhora do Rosário mudou de rosa para azul. Assim, de forma não natural e sem explicação. Foi algo comandado por alguém. No ano passado, os Caboclinhos estavam com chapeu Funk...E teve um ano que sairam de Apaches americanos. :) Tudo bem. O que importa é que as festas estão aí, muito vivas, muito lindas, muito ricas. Espero te ver na avenida. E Viva a Cultura de Montes Claros.

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  6. Obrigada Raquel, por manter viva a história da música as manifestações da cultura popular brasileira e, sobretudo, obrigada por compartilhar conosco seu vasto conhecimento!
    Que Deus abençoe grandemente seu caminho.

    Este seu cantinho esta muito especial... Bjs!

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  7. Adorei, minha doce e linda amiga Raquel! Você consegue enriquecer o nosso conhecimento, obrigada amiga!

    beijos ternos

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