Amigos da Arte e Cultura

domingo, 28 de junho de 2009

O ENCANTO DAS JUNINAS



l Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira



Mês de junho findando. O cheiro está no ar... comidas típicas, fogueiras ardentes e trepidantes, simpatias, supertições, fogos de artifícios, músicas e rezas, muitas rezas.

As recordações se atropelam em minha mente : as festas da Lagoinha do saudoso Ducho, do Pentáurea, do Max – Min, do Automóvel Clube, do Rotary,da Unimontes,do Conservatório, em casas de família, nas escolas e até mesmo nas ruas...

Três santos são efusiva e intensamente comemorados em junho em todo o Brasil : Santo Antônio, São João e São Pedro. Não apenas o dia propriamente dito, mas todo o mês é considerado como tempo consagrado a estes santos,principalmente às vésperas que é quando se realizam os rituais e simpatias, a parte mágica das festas típicas do catolicismo popular.

As supertições para casar ou saber sobre o futuro marido, as comadres de fogueira, coisa levada muito a sério por aqui e, ai que delícia, ainda sinto o sabor das comilanças: pipoca, canjica, pé de moleque, vaca atolada (sopão de carne de vaca), quentão, bolos de fubá , biscoitos de goma ...

Crianças e adultos se envolvem em uma alegria de “dar gosto”.



A tradição das festas juninas chegou ao Brasil através dos colonizadores portugueses, mas a quadrilha, dança obrigatória nestas festividades, é uma herança francesa com raízes aristocráticas, mas que também recebeu influência das antigas danças folclóricas da Inglaterra. Logo a quadrilha se tornou a dança preferida da elite brasileira que vivia voltada para a Europa. Se popularizou depois como uma dança própria das juninas e, com as influências da mazurca, da polca e da valsa, se tornou genuinamente brasileira, com ritmo único e incrivelmente sensual.

As fogueiras, servem como centro para a famosa dança de quadrilha, enquanto a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos.

As lembranças são muitas. Me parece ontem quando eu me via preparando os meus meninos, Gú e Dan que, todos os anos, participavam , as vezes como noivos, juízes, padres ou simplesmente dançarinos felizes desta alegria geral que sempre tomou conta não apenas dos Montes Claros das Gerais, mas de todo o país.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O FASCÍNIO DE LISBOA


l Por:Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira


Para o meu amigo Sérgio Lobato


Por muito tempo, não sei porque, sonhava sempre com Londres, Paris, Roma . Amsterdan....

Enquanto isto, Lisboa, cheia de encantos e belezas, cantada em versos e em prosa, sempre ficava para a próxima viagem.

Ah que tempo perdido ...

Mas quando a conhecí, foi amor à primeira vista, valeu a espera !

De repente, nesta última viagem, deixei–me envolver por esta cidade maravilhosa, com os seus mais de 800 anos de cultura e, o caminhar por esta história que é também nossa, despertou em mim, sentimentos e emoções tal e qual quando se chega à casa dos pais, depois de anos e anos de ausência.

Impossível descrever, a emoção me conduziu a senti-la e a descobri-la. A hospitalidade, o carinho, a boa vontade, a gentileza do lisboeta (ou alfacinha ) se faz presente já no aeroporto. Estava em casa e aquela forma de se falar o português, tão encantadora, parecia música aos meus ouvidos.

Sim, realmente música da mais alta qualidade... um poema em forma de canção ...foi esta a sensação que senti em todo o período que pude desfrutar desta terra, talvez misteriosa para outros estrangeiros, porém afável e aberta para esta brasileirinha que sentia necessidade de se beliscar a cada momento para ter a certeza de que tudo não passava de um sonho.

Ressurgida das cinzas do terremoto de 1755, tal e qual Fênix, reergueu-se renascida dos escombros e, esta mescla, novo – antigo, clássica - moderna , fascina a cada escultura em pedra com motivos marítimos.O estilo manoelino , tendo como substrato o gótico é realmente encantador nos seus inúmeros monumentos.

Sim, agora entendo porque o Tejo,o lendário Rio Tagus foi celebrado por Luís de Camões nos Lusíadas, ao homenagear a mulher de Lisboa e, me perdoem as lisboetas... me senti também homenageada, tal a intensidade das emoções sentidas nesta terra além – mar, neste verdadeiro “ jardim da Europa à beira-mar plantado.”