Amigos da Arte e Cultura

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"A Flauta Mágica" de Mozart, é apresentada em uma versão multicultural


Abrindo a 24ª edição do festival de artes Romaeuropa, justamente em meio a uma discussão sobre uma operação de repressão à imigração ilegal, a Orchestra di Piazza Vittorio, cujo nome vem de uma praça no cosmopolita bairro de Esquilino, em Roma, apresentou uma versão inovadora da ópera de Mozart, composta em 1791, sobre um príncipe perdido em busca do amor num reino mágico.

A orquestra, com integrantes de 20 países, é formada por um trompetista cubano, vocalistas tunisianos, um violinista americano e percussionistas senegaleses. Mesclando estilos musicais como o reggae e o jazz, criou uma versão moderna de um clássico da ópera, com contos de fadas, melodias populares, línguas, ritmos e sons.

O italiano Mario Tronco, fundador e diretor artístico da ópera, explica:"Quisemos contar a história de uma Flauta Mágica contemporânea, que acontece numa sociedade multirracial moderna", e continua, "Nossos músicos têm origens incrivelmente diversificadas, e não apenas em termos geográficos. Desde o reggae até a música erudita, passando pelo pop e o jazz, nossa música faz referência contínua a culturas diferentes."

Para Giovanni Piariccini, o presidente do festival, a abordagem multicultural e multiétnica da orquestra está profundamente vinculada à filosofia do festival Romaeuropa e é "de importância cultural e política extrema."

"A Flauta Mágica" foi apresentada como história oral, com performances vocais em inglês, árabe, italiano, alemão, espanhol, português e wolof.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Fantástico mundo da música: The Swingle Singers



Este conjunto vocal norte-americano formado por oito vozes, é celebrado em todo o mundo por suas interpretações jazzísticas de peças clássicas de Ravel, Bach e Beethoven. Em seu repertório encontramos também Beatles, Astor Piazzola e Tom Jobim.

Com arranjos modernos, criativos e incrementados por fantásticos jogos de iluminação e coreografias inovadoras, este grupo realmente pode ser classificado como fantástico.

Vale a pena conferir!


The Swingle Singers - Bach



Swingle Singers - Garota de Ipanema (live in Catania)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Montes Claros está com tudo e não está prosa, assiste em casa, a Seleção masculina de Vôlei do Brasil x Estados Unidos


| Por: Raquel Crusoé LOures de Macedo Meira

Montes Claros se cobriu de verde amarelo e viveu momentos históricos nos últimos dias 22 e 23,(terça e quarta feira), com um amistoso da Seleção Brasileira de Vôlei masculino contra a Seleção dos Estados Unidos.

Toda esta festa aconteceu para a reinauguração do Ginásio Poliesportivo Tancredo Neves, com a capacidade para 12 mil pessoas. Nova pintura, alambrados, piso especial para prática de todas as modalidades esportivas, cadeiras confortáveis para a torcida, placar eletrônico, academia de ginástica, cabines de transmissão televisiva, radiofônica, tribuna de honra e acomodações readaptadas com modernos alojamentos.

A felicidade estava estampada no rosto de todos, principalmente depois do placar. No primeiro jogo : Brasil 3 Estados Unidos 1 e no segundo, Brasil 3 e Estados Unidos 0.



Ficamos muito orgulhosos, foi um feito e tanto do nosso prefeito Luiz Tadeu Leite e assessoria.

Agora Senhor Prefeito, fica uma pergunta no ar .... para quando poderemos aguardar o nosso tão sonhado teatro ? Afinal, foi em uma das suas gestões que o nosso amigo jornalista Reginauro Silva criou a famosa frase, hoje slogan da nossa cidade: “ Montes Claros – Cidade da Arte e Cultura.”

Alô alô Secretaria de Cultura,sabendo do potencial do Senhor Secretário, agora os artistas e amantes das artes da região aguardam para breve uma ação tão eficaz quanto esta que assistimos neste momento. Os grandes artistas nós já temos, precisamos agora, apenas de um grande teatro para abrigá-los e intercambiar a arte e a cultura que por aqui flui como em poucas cidades do país.O nosso prefeito é valente, empreendedor e muito inteligente. Por favor, Senhor Secretário de Cultura, aproveite este momento ímpar e realize este sonho acalentado há anos.



( Fotos de Daniel Crusoé e Gauto )

domingo, 20 de setembro de 2009

23º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, em Montes Claros - MG.


A Prefeitura de Montes Claros - MG, através da Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, a Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes, Fundação Cultural Genival Tourinho, SESC Regional Norte, Jornal Hoje em Dia e a ATCMC promovem o 23° Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, cujo tema será CINEPOESIA A INVENÇÃO DOS GERAES.

Segundo o Regulamento, o Salão Nacional de Poesia Psiu Poético não é um concurso, nem tem como propósito premiar o primeiro lugar de cada categoria. Seu princípio básico é celebrar a poesia, promover o encontro de poetas, escritores e artistas de todos os lugares, para que possam conhecer e discutir a produção poética contemporânea neste início de século apresentando o resultado a um público amplo de estudantes, educadores, leitores, e demais pessoas interessadas.

O evento acontece em diversos locais, passando por favelas, universidades, escolas, parques, mercado central, praças públicas, shopping, rodoviária, Teatro Cândido Canela e ruas da cidade.

Na programação, workshops, lançamentos de livros, palestras, debates, performances, recitais, shows musicais, cinema, teatro, dança e outras intervenções, tendo sempre a poesia como foco

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Montes Claros evoluiu mesmo, tem até Escola para Fantasma !


I Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira

No Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, o trabalho era muito sério. Aquela casa era o centro intelectual, artístico, sensível e efervescente dos Montes Claros das Gerais.

Além de abrigar aspirantes, artistas e arteiros da região, também era muito comum recebermos figuras relevantes do cenário nacional e internacional, como os pianistas Jacques Klein,( me lembro como hoje, o famoso virtuose Arnaldo Cohen, ainda estudante, o acompanhando por aqui), Nelson Freire, Miguel Proença, o criador da Escolinha de Arte do Brasil Augusto Rodrigues, o grande compositor nacionalista brasileiro Francisco Mignone, Álvaro Apocalipse com o teatro, a soprano Maria Lúcia Godoy, Bartolomeu Queiroz, isto sem contar com os que vinham uma vez e que logo se entrosavam a ponto de permanecerem quase como frutos da terra, como os Maestros Sérgio Magnani, Geraldo Fiqueiredo, Aloysio Saliba, o cantor lírico Marcos Tadeu Miranda, o professor Joaquim que introduziu o ensino de ballet na região e Liana Menezes com o seu glorioso trabalho à frente do nosso teatro, ao lado do seu esposo Conrado, mestre da pintura.

Com tantas situações que cruzam a minha memória neste momento, impossível lembrar todos os nomes que por aqui passaram e plantaram tão boas sementes que estão a frutificar por este mundo afora.

Lado a lado com a intelectualidade artística, o humor sempre estava presente em situações deliciosamente divertidas. Era deveras um prazer estar naquele espaço.Garis que limpavam a rua imitando com a voz, às vezes em falsete, os sons dos intrumentos, a muito querida Professora Lucinha Teixeira que sempre tinha na ponta da língua uma anedota para cada situação e a sempre feliz e amada Professora Cecy Tupinambá de Ulhôa que, com o olhar, e com insinuações inteligentes e sutis, fazia leve e bem humorada, toda e qualquer situação.

As saudades são muitas e a minha alma sorri ao lembrar tanta felicidade...

Geralmente nos fins de semana, ao findar as aulas, íamos para a Hora Dançante “Juventude em Brasa” do Automóvel Clube. Não dá mesmo para esquecer. Nunca experimentei o famoso “chá de cadeira”, pois naquela época, as mocinhas jamais ousavam chamar um rapaz para dançar, ficavam a mercê dos garotos. Ah, como Deus foi generoso para comigo até em situações como esta. Fui o maior pé de valsa, pois os meus alunos não me deixavam sentada nem por um minuto.

Me lembro dando aulas, em uma mesma sala para o Armeninho Graça,Clarice Maciel, Yuri Popoff,Olavo Mendonça ...

As memórias são tantas... são tantos os nomes que por nossas mãos passaram e que hoje são referências nas diversas áreas de arte no cenário nacional e internacional que nos enche de orgulho.

Mas um fato muito pitoresco ficou em minha mente...

Era muito cedo e, especialmente naquele dia, fazia muito frio quando eu me encaminhava para começar o meu dia de trabalho. O prédio do Conservatório, anteriormente sede do Clube Montes Claros e que fora desapropriado pelo Governo do Estado para alojar a nossa casa de arte, ficava em uma esquina do centro da cidade.Prédio pomposo, estrutura sólida e do qual tínhamos muito orgulho.

Nesta manhã, ainda sonolenta, estava a cruzar a rua quando, sentado na escadaria da esquina do conservatório estava um senhor,conhecido por ser de uma tradicional família montesclarense, finalizando a sua noitada de farras e bebidas.

Eu chegando para começar o dia e ele finalizando a noite. Foi então que me chamou dizendo: ô mocinha, você já viu como a nossa Montes Claros está evoluída? Virou metrópolis mesmo uai! Depois que esta escola chegou aqui, estão educando as duas dimensões. Viche Nossa Senhora,agora temos por aqui até escola para fantasma, ouça só. E com gestos teatrais, bastante dramáticos, imitava os grandes cantores enquanto repetia os vocalizes que vinham das aulas de canto.A,i,a,i,a,i,a,i,a,i,a...........u,i,u,i,u,i,u,i,u,i,u,i,u.....e lá se foi tal e qual um equilibrista bêbado,com passos trôpegos, pelas ruas da cidade. Infelizmente creio que o seu rosto de felicidade iria em pouco tempo se transformar ao chegar em casa...

Esta é a Montes Claros que amo !!!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

BEETHOVENFEST 2009: "Na luz – A idealização romântica do artista"

Desde 4 de setembro está acontecendo em Bonn, na Alemanha, o Beethovenfest. O evento está atraindo muitos astros e virtuoses de todo o mundo e se estenderá até o dia 3 de outubro.

O slogan do festival Beethoven de Bonn em 2009 é "Na luz – A idealização romântica do artista”, Im Licht ("Na luz", ou "No foco da luz").

A diretora artística do evento, Ilona Schmiel, explica:"A influência de Beethoven não marcou apenas a música do Romantismo. Também durante sua vida,o compositor se destacou como personalidade musical cada vez mais autônoma. Este foi o ponto de partida para o ideal romântico do artista: o nascimento do culto do star e do gênio, que define nosso mundo musical de hoje".

Na programação do Beethovenfest 2009, constam a execução das 32 sonatas pianísticas do compositor homenageado; um fim de semana dedicado ao gênero instrumental "quarteto de cordas"; além dos grandes oratórios de George Friedrich Händel e Felix Mendelssohn-Bartholdy, ambos completando jubileu este ano. A Filarmônica de Câmara de Bremen, sob a batuta do estoniano Paavo Järvi, apresentará integralmente as sinfonias beethovenianas.

Desde 2006, a participação de estudantes de cinema e artes plásticas com interseções entre as artes visuais e a obra do compositor,tem sido muito relevante. Jovens realizadores, apresentam filmes de curta-metragem e as instalações de estudantes da Academia de Artes e Mídia de Colônia procuram transpor o universo do compositor para as artes visuais, quando então se percebe que os artistas envolvidos, quando querem tematizar Beethoven em suas obras, não se ocupam apenas de peças extremamente conhecidas, como a Quinta ou a Nona sinfonia.

O documentarista Enrique Sánchez Lansch (Rhythm is it) apresenta o ciclo "Look at Beethoven", dedicado a filmes de jovens cineastas que tratam tanto do compositor clássico - romântico como do efeito da música.

Com o quarteto de cordas Minguet e o grupo de hip-hop Einshoch6, de Munique, formado por rappers e músicos eruditos e pop, o projeto "Hip hopt Klassik", confronta a plateia infanto-juvenil com jovens músicos de orientação contrastante.

Concertos de estreantes e músicos recém-premiados complementam o programa para as novas gerações.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Dois talentos e um Hino de Amor ao Brasil: Gottschalk e Guiomar Novais

| Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira

Confesso que a primeira vez que ouvi a “Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro”, do compositor americano Louis Moreau Gottschalk inspirada no Hino Nacional Brasileiro, fui às lágrimas. O sentimento de brasilidade aflorou em todo o meu ser.

A partir deste momento, me interessei em saber mais sobre esta obra que é grande sucesso no repertório não só de nossos pianistas, como nos de outros países. Gottschalk tinha muito prestígio junto ao Imperador Pedro II e, a euforia predominante na côrte com a vitória sobre as tropas paraguaias, inspiraram o compositor que, entusiasmado, compôs esta peça dedicada à Princesa Isabel.

De acordo com Roberto Muggiati. “..., em 1973, uma consulta de origem desconhecida à Comissão Nacional de Moral e Civismo, ameaçou por algum tempo de proibição a peça de Gottschalk. O processo rolou por alguns anos até que, graças principalmente ao parecer do musicólogo Alfredo Melo, que esclareceu devidamente a diferença entre “arranjo” e “variação”, e condenou “essa interdição como um “crime de lesa-cultura”, a “Grande fantasia Triunfal”, foi liberada. Finalmente, a 7 de setembro de 1981, junto ao Monumento do Ipiranga, ela foi executada em apoteose para 800 mil pessoas, no melhor estilo “gottschalkiano”.”

Louis Moreau Gottschalk (1829-1869), da Escola Nacionalista Norte Americana, nasceu e foi criado em Nova Orleans onde vivenciou uma imensa variedade de influências musicais, mas foi como aluno de Berlioz que herdou este gosto por concertos de proporções gigantescas, com a participação de mais de mil executantes entre regentes instrumentistas e cantores. A sua viagem a Cuba em 1854, marcou o início de uma série de viagens à America Central e América do Sul e, em meados de 1860, Gottschalk havia se estabelecido como o mais importante pianista do Novo Mundo. Faleceu no Rio de Janeiro em 1869.


Guiomar Novaes

Pianista paulista (28/2/1894-7/3/1979). foi uma das mais importantes instrumentistas de sua geração e a primeira brasileira a consolidar uma carreira de prestígio internacional.

Suas interpretações se caracterizavam pela pureza da sonoridade e domínio da técnica pianística.

Considerada a grande intérprete de compositores românticos, tinha realmente uma preferência especial por Chopin, o que no entanto não interferiu em sua grande dedicação e divulgação da música brasileira, especialmente de Villa-Lobos.

Vejam abaixo esta preciosidade de gravação histórica:

Guiomar Novaes - Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro



Guiomar Novaes toca a Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, Op. 69, de Louis Moreau Gottschalk.

Guiomar Novaes foi uma das maiores pianistas do século XX, e uma das maiores do Brasil de todos os tempos. Aqui ela interpreta de forma soberba a obra que Gottschalk compôs para homenagear o Brasil, terra pela qual se apaixonou.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O SILÊNCIO DA BATUTA DO MAESTRO



Por: Maria Luiza Silveira Teles


Morreu Artur da Távola. Calou-se para sempre sua voz tão cheia de sensibilidade que, em seus escritos ou apresentações televisivas, nos tocava, ensinava e encantava. Aquela que traduzia o clássico em linguagem popular.

No seu último programa “Quem tem medo de música clássica?”, olhei triste seu rosto abatido e, temerosa de que a morte se avizinhasse, fui tomada de emoção, pois não conseguia imaginar o momento de não tê-lo mais entre nós. Era uma premonição ou constatação, não sei...

E, no dia nove de Maio, seu espírito deixou seu corpo, enquanto dormia.

Costumo dizer que poucas pessoas merecem morrer dormindo. E, com certeza, ele era uma destas. Exemplo de ser humano, de cidadão, de político correto, em um tempo em que os indivíduos de caráter parecem ser uma rara exceção.

Sempre haverei de lembrar-me dele ao ouvir os clássicos. As palavras ária, sonata, piano, pianíssimo, allegro, cantante, e outras tantas do ramo haverão de remeter-me às suas belas lições, às suas análises criteriosas das músicas, que tanto mexiam com a sua e a nossa emoção.

Eu o admirava muito como jornalista, cronista, político e, ultimamente, como apresentador e analista musical. Aprendi muito com ele e as palavras com que terminava sempre o seu programa estarão caladas dentro de mim: “Música é vida interior e quem tem vida interior jamais padece ou padecerá de solidão.”

Recebendo pela televisão a notícia de sua partida, repeti o que costumo dizer quando morre alguém extraordinário: “Existem homens que jamais deveriam morrer.” Mas, pensando bem, qual o grande homem que morre, realmente? Todos eles deixam rastros de luz em nossos caminhos e, assim, vivem para sempre.

Acho que meu comentário usual deveria mudar para a constatação de que certos homens não morrem nunca. O certo, provavelmente, é dizer como o nosso grande autor do sertão, Guimarães Rosa: não morrem, “ficam encantados”. Assim, posso dizer que Artur da Távola “ficou encantado”. Em outras paragens, ele estará, decerto, despertando a sensibilidade daqueles que partiram sem alcançar a plenitude de sua humanidade.

Ah, meu prezado maestro, sentirei muito sua falta, mas pode ter certeza que, também, por ter lido seus livros, seus artigos, ouvido seus belíssimos comentários sobre Beethoven, Mozart e outros tantos, tornei-me uma pessoa melhor e cresci muito como ser humano. Você, em sua simplicidade, provavelmente, nem sabia que iluminava a vida de tantos.

Também porque o conheci e, junto com você, continuando as lições que recebi de meu saudoso pai, aprendi, mais e mais, a amar a música e sei que, desta forma, jamais haverei de padecer de solidão.

Enquanto existir a música, as auroras e crepúsculos, os amores e desamores, encontros e desencontros e meu coração continuar batendo, com a emoção tomando conta de meu ser, serei muito rica de vida interior. Poderei, inclusive, ouvir as músicas das esferas celestiais e, até nos meus silêncios, estarei ouvindo os sons da Divindade.

Sabe, grande maestro, repetindo palavras suas, citando não me lembro quem, devo dizer-lhe: “A dor da gente não sai no jornal”. E a minha dor pelo silêncio de sua batuta não pode ser traduzida em pobres palavras de jornal. Mas ficam aqui registradas.

E, como diz o Pe. Fábio de Melo, brincando com o poema de Drummond: “A festa acabou, a luz apagou e, agora, é você e Deus”. E Deus, certamente, gostará de ter em seu regaço um grande homem, um filho muito amado, que soube perseguir a Sua Luz e dignificar a arte e a política.

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Maria Luiza por Maria Luiza


Fui professora de Inglês e, depois, professora universitária de Psicologia e Sociologia. Tenho 29 obras publicadas pelas editoras Vozes, Brasiliense e Parêntese. Hoje, trabalho como professora-visitante por todo o Brasil, sou consultora pedagógica e editorial e faço Reiki nas pessoas necessitadas que me chamam.


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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

HISTÓRIA DO HINO NACIONAL BRASILEIRO - FATOS INTERESSANTES NEM SEMPRE DIVULGADOS


Capa original do Hino Nacional Brasileiro



I Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira

Segundo o Prof. Alvacyr Pedrinha, “o Hino Nacional de cada povo expressa, em todas as suas gamas, o modo de ser da psique coletiva de sua gente. A identificação do povo com o Hino é mais do que necessária para que, ao ouvi-lo ou cantá-lo, se possa sentir ser ele, realmente, o porta-voz da nação, da alma do povo.”
Apesar de ser repleta de fatos interessantes, a história do Hino Nacional Brasileiro não é nada divulgada. Normalmente se limita a uma breve referência aos autores da letra e da música.

Letra: Joaquim Osório Duque Estrada.

Música: Francisco Manuel da Silva.

No entanto ela é riquíssima. Talvez mais do que qualquer outro dos Símbolos Nacionais, a história do nosso hino reflete os momentos mais relevantes da nossa pátria.

A música de Francisco Manuel da Silva, inicialmente composta para banda, popularizou-se em 1831, com versos que comemoravam a abdicação de Dom Pedro I e, por ocasião da coroação de Dom Pedro II, com uma outra letra, a música se tornou tão popular que, apesar de não ter sido oficializada como tal, passou a ser considerada o hino nacional brasileiro.

Portanto, o nosso hino nasceu com o calor das agitações populares, quando vacilava a independência do Brasil, num dos momentos mais dramáticos de nossa História. Durante quase um século, por incrível que pareça, o Hino Nacional Brasileiro foi executado, sem ter oficialmente uma letra.

Francisco Manuel, como muitos, desejava a abdicação do Imperador e, com isto, não era visto com bons olhos. Os irmãos Portugal, maestros Marcos e Simão, eram realmente os ditadores da música oficial aqui no Brasil. Como Mestre da Capela Imperial, o maestro Portugal proibiu terminantemente que ali fosse executada qualquer música que não fosse de sua autoria. Imaginem o clima. No entanto, apesar de todas as forças contrárias, foi ao som deste hino que conhecemos bem, porém com versos do desembargador Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva que a fragata inglesa Volage, levantou âncoras levando D. Pedro I e a sua família para o exílio na Europa. Segundo Luís Heitor de Azevedo Correia, o nosso hino foi "executado entre girândolas de foguetes e vivas entusiásticos", quando da partida de D. Pedro I, em 13 de abril de 1831.

Com a proclamação da república, os governantes abriram um concurso para a escolha e oficialização de um novo hino. Leopoldo Miguez foi o vencedor, porém o povo não aceitou. Com as inúmeras manifestações populares contrárias à adoção do novo hino, o então presidente da República, Deodoro da Fonseca, oficializou como Hino Nacional Brasileiro a composição de Francisco Manuel da Silva e estabeleceu que a composição de Leopoldo Miguez seria o Hino da Proclamação da República. A letra escrita pelo jornalista e poeta Joaquim Osório Duque Estrada, tornou-se finalmente oficial, durante o centenário da Proclamação da Independência em 1822 . Com a orquestração de Antônio Assis Republicano e instrumentação para banda do tenente Antônio Pinto Júnior, a adaptação vocal foi feita por Alberto Nepomuceno, quando então foi proibida a execução de quaisquer outros arranjos vocais ou artístico-instrumentais no hino.


Será isto o que estamos assistindo no dia a dia em nosso país ?


DECRETO N.º 171, DE 20 DE JANEIRO DE 1890

"Conserva o Hino Nacional e adota o da Proclamação da República."
"O Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil constituído pelo Exército e Armada, em nome da Nação, decreta:
Art. 1º - É conservada como Hino Nacional a composição musical do maestro Francisco Manuel da Silva.
Art. 2º - É adotada sob o título de Hino da Proclamação da República a composição do maestro Leopoldo Miguez, baseada na poesia do cidadão José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros Albuquerque."

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Hino Nacional Brasileiro - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo




Na abertura de sua temporada 2009, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo executa o Hino Nacional do Brasil.

A IPTV Cultura transmitiu o concerto de abertura da temporada 2009 da Osesp ao vivo, direto da Sala São Paulo, no dia 5 de março. O evento marcou a estreia do maestro francês Yan Pascal Tortelier como regente principal da orquestra.

UMA TELA DE RENOIR AO SOM DE DEBUSSY


I Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira


Eu devia estar com os meus dezesseis anos e já era considerada uma velha professora do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, isto porque naquela época, em uma estrutura curricular bem diferente e, já possuindo todos os diplomas necessários, fui emancipada em cartório, pelos meus pais, a pedido da D. Marina Lorenzo Fernandez que precisava de professores. Com a emancipação, eu poderia lecionar legalmente, apesar da pouca idade. Comecei por lá aos treze anos.

Neste tempo, não se vinculava a série escolar musical à série da escola regular. Na mesma classe, atendíamos todas as idades, daí que, antes dos meus quinze anos, eu lecionava para alunos crianças, adolescentes e adultos. Muitas vezes, na mesma classe, atendíamos avôs com os seus netos. Éramos uma família. Todos juntos e sempre com muita alegria. Parecia que toda a cidade ali estudava, respondia presente e amava aquela casa de arte, em uma harmonia sempre perfeita.

O conservatório parecia ser o centro do mundo!

Sim, estávamos em uma cidade do interior mas, pelos contatos da Dona Marina, recebíamos os maiores nomes do Brasil, em todas as áreas da arte, como também, continuamente viajávamos para nos aperfeiçoar nos grandes centros.

Ali era o meu paraíso, a minha alegria, a minha vida.

Somente sabia a hora de entrar, nunca a de sair. Por lá eu alimentava o meu espírito, a minha alma e, como eram perfeitos os meus colegas, alunos e amigos. Ou melhor, não havia separação entre alunos, colegas e professores. Jogávamos no mesmo time, sempre comandados por esta figura divina chamada Marina, filha do grande compositor brasileiro Lorenzo Fernandez.

Juro que muitas vezes não a via como humana. Parecia ter sido extraída das Galáxias ou ter caído do céu para a nossa felicidade. Com esta criatura maravilhosa, aprendemos a ser, pensar, agir, falar e fazer música com o coração.

Que tempo mais lindo!

Tantas imagens, tantos sons e quantas cores. Neste momento, a minha mente mais parece uma tela de Renoir sonorizada com a música de Debussy.
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