Amigos da Arte e Cultura

sexta-feira, 29 de julho de 2011

ERIC SATIE


Erik Satie (Honfleur, 17 de Maio de 1866 – Paris, 1 de Julho de 1925) foi um compositor e pianista francês muito importante no cenário de vanguarda parisiense do começo do século XX.

Precursor de movimentos artísticos como minimalismo, música repetitiva e teatro do absurdo, tornou-se cult entre os jovens compositores, que eram atraídos pelos títulos bem-humorados de suas peças. Foi também inovador por ter criado o ragtime, estilo de pré-jazz, com as estruturas minimalistas que ele propôs.

As Trois Gnossiennes,obra mais conhecida desse compositor, foram compostas por volta de 1890. A versão para piano solo das três Gnossiennes não possuem marca de tempo ou compassos, conhecidas como tempo absoluto.

Gnossienne nº 1 foi usada em diversas trilhas sonoras, incluindo o filme Violent Cop (1989), Chocolat (2000), The Painted Veil (2006), Käsky (2008), Paris (2008) e Man On Wire (2008).


ERIC  SATIE  - GNOSIENNE Nº 1

quinta-feira, 28 de julho de 2011

JOÃO E O PIPOQUEIRO DA ESQUINA



 
| Por: Augusto Vieira

Há uma lembrança que nunca mais me saiu da cabeça. É bem antiga. Leva-me aos tempos da inauguração do auditório do Colégio Imaculada Conceição, em Montes Claros, minha aldeia. Tempos do início dos anos dourados. Minha mãe era amicíssima das freiras do colégio. Pediram-me, eu já com pouco mais de treze anos, para indicar um artista para se apresentar no majestoso local. Não vacilei. Disse: João Gilberto. Perguntaram-me quem era. Mencionei sua biografia e discografia, até então. Deram-me carta branca para tentar a contratação.

João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, baiano de Juazeiro, ali bem perto de nosso Norte de Minas, nascera no dia 10 de junho de 1931 e havia se mudado para o Rio de Janeiro nos seus 18 anos. Tocara violão no conjunto “Garotos da Lua”. Uma cantora por nome Marisa, em 1953, gravara uma música de sua autoria, chamada “Você esteve com meu bem?”. João voltara à Bahia, desta feita para Salvador, onde permanecera por algum tempo. Depois retornara ao Rio, exatamente em meados de 1958, onde participara, como violonista, da famosa gravação de “Chega de Saudade”, música de Tom e Vinicius, cantada por Elizete Cardoso no LP “Canção do Amor Demais”. Gravara, ainda, pela Odeon, seu primeiro disco, um 78 rotações, onde cantara e tocara ao violão duas músicas: “Chega de Saudade” e “Bim bom”, essa última de sua autoria. Foram vendidas quase vinte mil cópias. Estourara na “Cidade Maravilhosa” o esplendoroso movimento cultural batizado “Bossa-Nova”.

Para nós, alguns adolescentes moquenhos não alinhados aos tradicionais padrões sociais, foi fácil assimilar o que mudava no país. O novo era logo rotulado “bossa-nova”, desde as atitudes do Presidente JK a uma nova marca de algum eletrodoméstico. Carlos Mota dera de presente a seu filho Nozito, meu colega, um violão com amplificador de som. Coisa rara na época. Quase todas as tardes eu ia para sua casa, então na Dr. Veloso, e ali ficávamos horas a fio tentando repetir os acordes dissonados e a batida diferente, sincopada, que ouvíramos nas gravações das músicas tocadas por João Gilberto. Meu bolachão de duas faces do “Chega de Saudade” parecia até afinar, tantas eram as agulhadas que levava. As pontas de meus dedos ficavam calejadas de tanto fazer vibrar as cordas de aço de meu pinho. Nozito e eu assimilamos, felizes, todo aquele modo diferente de tocar violão e cantar. Passei a ser o imitador da voz de João Gilberto nos shows dos colégios da cidade. Essas minhas atitudes musicais não foram inicialmente muito bem vistas pela turma tradicional. Alguns até diziam que eu era meio maluco. Maluco-beleza. O que sou, até hoje, com muito orgulho.

Pois bem, João aceitou o convite e foi a Montes Claros, onde se apresentou naquele então único auditório de grande porte da cidade, com imenso palco e alguma tecnologia para facilitar o trabalho dos artistas. Seu toque e sua voz eletrizaram o público. Ele se emocionou com a vibração dos jovens. Foi aplaudido de pé por mais de um minuto. Viajaria bem cedinho. Aproveitei ao máximo sua presença. Ao saírmos do recinto do show levei-o até a porta da casa de meu tio Hermindo Pinto, em frente ao colégio, para apresentá-lo às primas Leninha e Aparecida. Sentamos à beira do meio-fio, que era bastante acima do nível da avenida, e ficamos ali olhando o movimento de fim de noite. Um homem ainda trabalhava, guardando equipamentos de seu carrinho de pipoca. João pegou o violão e começou a tocar uma música. Perguntei a ele o que era. Respondeu que estava compondo “O pipoqueiro da esquina”. Pensei nos milhares de pipoqueiros espalhados pelas esquinas de nosso imenso Brasil. Que momento mais lindo! Ele tocava e cantava e eu não tirava os olhos dos trastes do violão, gravando na memória as posições de seus dedos para, depois, tentar repetí-las. Uma semana depois já tocava “Chega de Saudade”. João me dera dicas sobre alguns acordes e sua batida diferente. Assimilei-as e até hoje, decorrido mais de meio século, arranho meu violão e canto procurando imitá-lo.

João tornou-se um dos ícones da música em todos os continentes. Um dia veio dar um show em Belô. Hospedou-se no Othon Palace. Sistemático, não recebia ninguém. Chega de saudade, disse a mim mesmo, vou revê-lo. No saguão, depois de dar meu nome num papelzinho, disse ao porteiro que era de Montes Claros e que, em minha juventude o ciceroneara na cidade, quando ele dera um show num auditório de um colégio de freiras. Por incrível que pareça ele permitiu que eu subisse. Quantos já haviam desejado isso e não conseguido! Quando cheguei João só entreabiu a porta, mirou-me sem me reconhecer e apenas disse: — tudo bem? Respondi: tudo bem! Em seguinda fechou-a. Pensam que achei ruim? Que nada! Senti-me foi muito honrado em rever pessoalmente João Gilberto depois de tanto tempo. Para mim era o bastante. Quando retornei ao saguão todo mundo queria saber porque eu fora distinguido. Nada disse. Guardei só para mim o motivo, que hoje estou revelando a vocês, meus caros leitores.

Quando João fez 70 anos a ele dediquei esse poeminha:


João Gilberto, brasileiro,
Toque só um dim, dom, dom,
Um só acorde maneiro,
Ou um trechinho do Tom,
Pra que o Brasil volte a ser
A patriazinha dos sonhos,
Pra que se volte a viver
Sem pesadelos medonhos.
Ilumine este apagão
Que todos abominamos,
Na luz de teu coração,
Altar de setenta anos.

No dia 10 de junho de 2011 João completará 80 anos. O Brasil inteiro deveria começar a organizar uma festa digna desse grande cidadão que tanto já fez por essa nossa amada patriazinha. Ah, como seria bom se eu pudesse levá-lo mais uma vez ao auditório do Colégio Imaculada Conceição!

terça-feira, 19 de julho de 2011

O GRITO DO SILÊNCIO


Maria Luiza Silveira Teles

Que dizem as palavras?...
Nada...
Diante de profundos
Sentimentos
E de arroubos
De deslumbramento,
A palavra se cala.
Silêncios de espera,
Povoados de sonhos...
Silêncios de tortura
E de loucura.
Silêncios de esperanças,
Silêncios de solidão,
Silêncios de perdão...
Os olhos em brasa,
O coração aos pulos,
Tudo fala
De um amor sem cura...
Um silêncio de fraturas
Da alma,
Que ficou em estilhaços
Pelo silente caminho...
Silêncios de inverno,
Gritando pela primavera.
Esperança sincera,
Dentro da tarde mansa.
Que, em silêncio,
Espera o anoitecer,
quando tudo poderá
acontecer...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

VILLA LOBOS - BACHIANAS BRASILEIRAS



Em 1930, o compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos iniciou a composição de uma grandiosa série musical, com diversas peças instrumentais e corais, nas quais associa o estilo melódico e contrapontístico de Johann Sebastian Bach às características da música brasileira, de acôrdo com os estudos que fez do folclore em diversas regiões geográficas do Brasil.

As Bachianas Brasileiras foram compostas para orquestra de câmera, piano e orquestra e orquestra sinfônica. São nove Bachianas. Aqui apresentamos a Ária ( Cantilena ) da Bachiana Brasileira nº 5 em que depois de um vocalize inicial, a intérprete canta um poema de Ruth Valladares Corrêa :

Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e alinda sonhadoramente,
Em anseios d'alma para ficar bela.
Grita ao céu e à terra toda a Natureza!
Cala a passarada em seus tristes queixumes
E reflete o mar toda a sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela!


Villa Lobos - Bachiana Brasileira nº 5 (Ária) Amel Brahim  (soprano)



quarta-feira, 6 de julho de 2011

"MARISTELA CARDOSO IN CONCERT"


| Por: Leonardo Álvares da Silva Campos

O sublime canto lírico, o que de maior qualidade existe em matéria de música, eleva a nossa mente a dimensões acima da trivialidade sonora marcada pelo lugar-comum. Recebi da própria, minha ex-colega de sala em educandário de Montes Claros, com uma dedicatória, seu CD "Maristela Cardoso in Concert", com uma dedicatória. Escutando-o após, e reiteradas vezes, já em Belo Horizonte, percebi então aquela voz credível e de imensurável alcance, briosa e maviosa em interpretações diversas.

Há que se assinalar que Maristela Cardoso encantou antes, do alto de sua expressão vocal na postura e respiração certas e sem excessos, casas de exibição das mais destacadas da Europa, por onde morou alguns anos. É uma voz poderosa e na amplitude exata ao canto lírico, destinada a poucos privilegiados e sempre aumentando sua legião de aficionados da sua arte, no vibrato exato e irrepreensível autodomínio de todo o seu mecanismo vocal, com o que o canto flui de forma concisa e sistematizada.

Creio ser o canto lírico - que em Maristela Cardoso, com sua postura vocal de amplitude fora do comum, parecendo nos revelar a musicalidade de cascatas celestiais, é a melhor manifestação da musicalidade contínua e objetiva - a expressão maior, em meio a todas as demais diversificações musicais em Montes Claros e, por extensão, em todos os demais quadrantes deste nosso mundo. A carreira de Maristela foi e é vibrante, com o brilho peculiar dos mais iluminados da sonoridade vocal, e espero que ela ainda possa ter novos louros da vitória, isto é, renovados êxitos imorredouros.

Ao lado de tudo quanto possa ser dito sobre seu dom divino do pleno domínio do canto lírico, no particular Maristela é pessoa simples, amiga de todos.Trata-se de uma semeadora de ideias e ideais, guerreira incansável, e quero concluir com os seus próprios dizeres na capa do CD: "Nasci junto às veredas, pássaros e outros bichos, citados por Guimarães Rosa, em Urucuia, cujo rio do mesmo nome embalou-me com o som de suas corredeiras rumo a São Francisco, noutra leva de cantigas, rezas, danças, brinquedos e poesias com a sustança do surubi e do pintado. Montes Claros germinou sonhos, sons, fantasias, uma mixórdia regada a dores e sabores. E, numa das colheitas felizes, IN CONCERT, a equação do amor e dedicação extrema."

Enfim, transcendendo, como transcende, o setentrião mineiro o canto lírico dessa mulher tão verdadeira e pura, procuremos conhecer mais a sua carreira, o seu trabalho, mormente valorizando o que é nosso, haja vista já ter ela gravado outros CDs. Ouvindo essa voz de uma norte-mineira, mas que é universal, teremos, sempre de forma renovada, a certeza de que a vida só alcança seu melhor sentido diante da verdadeira música, que é encontrada no canto lírico, quando se trata dessa magistral conterrânea interpretando, por exemplo, "Silêncio de pedra", "Dança dos ciganos", Cabaré mineiro", "Theme from New York, New York", "How can i go on?", "Balada para um loco" e "Concerto pour une voix", entre tantos outros.

terça-feira, 5 de julho de 2011

FERNANDO PESSOA



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".

Fernando Pessoa

segunda-feira, 4 de julho de 2011

BIENAL DO MERCOSUL


Com previsão para ser aberta em 10 de setembro, em Porto Alegre, a oitava Bienal do Mercosul será a edição mais internacional do evento, com cem artistas de 32 países.

Segundo o colombiano José Roca, curador-geral do evento,"Isso não foi um princípio, mas uma decorrência de nossa própria pesquisa, que aborda a questão dos territórios e partiu de buscar entender o que significa uma bienal que tem no nome um tratado comercial".

Além de obras em exposição na vitrine, o espaço abrigará debates, performances, oficinas e mostras de vídeo.

Ainda de acôrdo com Roca, "Com a Casa M, estamos criando uma infraestrutura local, criando possibilidades de intercâmbio e até mesmo que ela continue depois da bienal ".

A Bienal do Mercosul irá ocupar quatro galpões do Cais do Porto, o Santander Cultural e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul. Nove obras estarão em locais públicos de Porto Alegre, na seção Cidade Não Vista.

ISADORA



Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira

Amo você porque amo
...A alegria renovada,
E o amor que me derramo...

Amo você porque amo
A fé revitalizada,
No grande amor que proclamo...

Amo você porque amo
O sentir abençoada,
Nesta emoção que aclamo...

Amo você porque amo
Ver assim coroada,
A união dos que amo...

Ah Isadora encantada!
Amo você ao sentir
Nossa vida transformada
E a emoção eternizada...

Para Isadora, minha netinha muito amada, no seu 1º aniversário.