Amigos da Arte e Cultura

terça-feira, 25 de outubro de 2011

GRUPO GIRAMUNDO INTERPRETA COBRA NONATO DE RAUL BOPP


(fragmentos)

I
Um dia
ainda eu hei de morar nas terras do Sem-Fim.
Vou andando, caminhando, caminhando;
me misturo rio ventre do mato, mordendo raízes.
Depois
faço puçanga de flor de tajá de lagoa
e mando chamar a Cobra Norato.
— Quero contar-te uma história:
Vamos passear naquelas ilhas decotadas?
Faz de conta que há luar.
A noite chega mansinho.
Estrelas conversam em voz baixa.
O mato já se vestiu.
Brinco então de amarrar uma fita no pescoço
e estrangulo a cobra.
Agora, sim,
me enfio nessa pele de seda elástica
e saio a correr mundo:
Vou visitar a rainha Luzia.
Quero me casar com sua filha.
— Então você tem que apagar os olhos primeiro.
O sono desceu devagar pelas pálpebras pesadas.
Um chão de lama rouba a força dos meus passos.
II
Começa agora a floresta cifrada.
A sombra escondeu as árvores.
Sapos beiçudos espiam no escuro.
Aqui um pedaço de mato está de castigo.
Árvorezinhas acocoram-se no charco.
Um fio de água atrasada lambe a lama.
— Eu quero é ver a filha da rainha Luzia!
Agora são os rios afogados,
bebendo o caminho.
A água vai chorando afundando afundando.
Lá adiante
a areia guardou os rastos da filha da rainha Luzia.
— Agora sim, vou ver a filha da rainha Luzia!
Mas antes tem que passar por sete portas
Ver sete mulheres brancas de ventres despovoados
guardadas por um jacaré.
— Eu só quero a filha da rainha Luzia.
Tem que entregar a sombra para o bicho do fundo
Tem que fazer mironga na lua nova.
Tem que beber três gotas de sangue.
— Ah, só se for da filha da rainha Luzia!
A selva imensa está com insônia.
Bocejam árvores sonolentas.
Ai, que a noite secou. A água do rio se quebrou.
Tenho que ir-me embora.
E me sumo sem rumo no fundo do mato
onde as velhas árvores grávidas cochilam.
De todos os lados me chamam:
— Onde vai, Cobra Norato?
Tenho aqui três árvorezinhas jovens, à tua espera.
— Não posso.
Eu hoje vou dormir com a filha da rainha Luzia.
IV
Esta é a floresta de hálito podre,
parindo cobras.
Rios magros obrigados a trabalhar.
A correnteza arrepiada junto às margens
descasca barrancos gosmentos.
Raízes desdentadas mastigam lodo.
A água chega cansada.
Resvala devagarinho na vasa mole
com medo de cair.
A lama se amontoa.
Num estirão alagado
o charco engole a água do igarapé.
Fede...
Vento mudou de lugar.
Juntam-se léguas de mato atrás dos pântanos de aninga.
Um assobio assusta as árvores.
Silêncio se machucou.
Cai lá adiante um pedaço de pau seco:
Pum
Um berro atravessa a floresta.
Correm cipós fazendo intrigas no alto dos galhos.
Amarram as árvorezinhas contrariadas.
Chegam vozes.
Dentro do mato
pia a jurucutu.
— Não posso.
Eu hoje vou dormir com a filha da rainha Luzia.
XXXII
— E agora, compadre,
eu vou de volta pro Sem-Fim.
Vou lá para as terras altas,
onde a serra se amontoa,
onde correm os rios de águas claras
em matos de molungu.
Quero levar minha noiva.
Quero estarzinho com ela
numa casa de morar,
com porta azul piquininha
pintada a lápis de cor.
Quero sentir a quentura
do seu corpo de vaivém.
Querzinho de ficar junto
quando a gente quer bem, bem;
Ficar à sombra do mato
ouvir a jurucutu,
águas que passam cantando
pra gente se espreguiçar,
E quando estivermos à espera
que a noite volte outra vez
eu hei de contar histórias
(histórias de não-dizer-nada)
escrever nomes na areia
pro vento brincar de apagar.

_______________________________




Raul Bopp: Foi um poeta modernista e diplomata brasileiro, tendo participado da Semana de Arte Moderna ao lado dos amigos Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade. Seu livro Cobra Norato é considerado o mais importante do Movimento Antropófago.




_______________________________

De maneira fascinante, Cobra Norato de Raul Bopp, é interpretado por bonecos do Grupo Giramundo.

sábado, 22 de outubro de 2011

200 ANOS DE LISZT: UM GÊNIO QUE MERECE SER REAVALIADO


Apreciação da obra do compositor teuto-húngaro é perturbada por seu papel de popstar, peculiaridades biográficas e preconceitos históricos. Bicentenário é bom motivo para se escutar essa música negligenciada.


Num dia de outono, 22 de outubro de 1811, nasceu Franz Liszt num lugarejo chamado Raiding, na época pertencente à Hungria e hoje parte da região austríaca de Burgenland. Àquela altura, ninguém podia sequer sonhar que o franzino bebê se tornaria um dos grandes nomes da música do século 19.


Ausschnitt eines Original-Manuskripts der Schubert-Liszt Komposition  

A ascendência do pai de Liszt era alemã, a da mãe, húngara. E, como sempre acontece com as figuras importantes da história, cada uma das nações implicadas insiste em reclamá-lo para si. Assim, não é de espantar que a singela casa onde o músico nasceu ostente duas placas, uma em húngaro, afixada pela Associação de Literatura e Arte de Ödenburg, e outra em alemão, com os dizeres: "O povo alemão dedica esta placa ao mestre alemão".
O pequeno Franz era tudo, menos uma criança-prodígio. Porém seu ambicioso pai, que também praticava música, treinou o compositor na seguinte direção: ele tinha que se tornar um precoce pianista virtuose, custasse o que custasse.

"É fantástico que o pai de Franz Liszt se sentisse como um segundo Leopold Mozart", comenta Noke Wagner, bisneta do compositor e diretora geral do festival de artes Pèlerinages, de Weimar, realizado todos os anos sob a égide lisztiana. "Através de sua carreira, o filho devia compensar todas as frustrações que o próprio pai vivera. Por outro lado, admiro o quanto ele investiu. Embora Franz fosse uma criança frágil, ele cumpriu todas as determinações impostas pelo pai."

Paz em Weimar

Como pianista, Franz Liszt conquistou a Europa. Ao lado do "violinista do diabo", Niccolò Paganini, ele foi o primeiro "popstar", no sentido moderno do termo, com direito a romances escandalosos, excessos alcoólicos e plateias histéricas.
Liszt era um cosmopolita, figura de âmbito europeu. Era também um viajante compulsivo, sempre transitando entre Paris e Roma, Budapeste e Weimar, nunca realmente em casa e sempre pronto a partir. Só descansou de verdade em Weimar: durante os anos em que lá residiu. A cidade do Leste alemão vivenciou sua segunda época áurea, depois de Johann Wolfgang Goethe.
Lá, o virtuose dedicou-se com intensidade crescente à composição. Como disse certa vez, ele queria projetar a lança de sua arte bem longe no futuro. E foi o que fez. No entanto, sua música visionária foi muitas vezes mal entendida, tanto por seus contemporâneos como pela posteridade.

Blick in den berühmten Musiksalon im Liszt-Haus in Weimar am Mittwoch (16.03.2011). Nach Instandsetzung und Sanierung von Dach und Fassade sowie der restauratorischen Überarbeitung der Innenräume soll das Wohnhaus des Komponisten am 21. März wieder eröffnet werden. Thüringen begeht anläßlich des 200. Geburtstages von Franz Liszt (1811-1886) mit zahlreichen Veranstaltungen 2011 das Liszt-Jahr. Foto: Michael Reichel/lth 

Salão de música dos Liszt em Weimar

Prosperidade não é para os gênios

Dois fatos talvez constituam contribuindo para não se julgar com justiça o mérito de Liszt como compositor: ele ter sido bastante abastado em vida e ter gozado de fama inabalada. Pois os alemães gostam que seus gênios sejam os mais pobres e injustiçados possível.
No ano em que transcorre o bicentenário de seu nascimento (e, pouco antes, os 125 anos de sua morte), ouvem-se com frequência as histórias do Don Juan que se fez ordenar abade, do virtuoso que hipnotizava as massas com sua alucinante execução pianística, mas que no fim terminou solitário e infeliz.

E, mais uma vez, quem sai perdendo é a música lisztiana. Excetuados alguns sucessos de sempre – como o Sonho de amor e as Rapsódias húngaras, o bis virtuosístico La campanella, ou o tema do poema sinfônico Les préludes, instrumentalizado pelos nazistas como jingle para suas notícias de guerra – a obra do compositor Liszt permanece um continente inexplorado.
Um dos fatores determinantes dessa negligência é a crítica musical – sobretudo a alemã – que desprezou suas composições, tachando-as de superficiais, virtuosismo vazio, prestidigitação circense, incapazes de se afirmar ao lado dos verdadeiros e profundos valores da música germânica. Esta encontrava representante digno antes na solidez sinfônica de um Johannes Brahms, ou na mítica wagneriana, afirmavam os críticos – jamais num Liszt, cosmopolita e transgressor de fronteiras artísticas.


Amizade tortuosa

Cosima Wagner.  Photographie um 1870. 

Costuma-se também ler que teria sido a longa sombra de Wagner, ou o "longo braço de Bayreuth", que impediu o reconhecimento de Liszt como compositor. O que há de verdade nessa afirmação?
O primeiro encontro entre os dois titãs deu-se em 1840 na capital francesa, durante uma recepção no hotel do celebrado pianista. Wagner revela ter-se "entediado seriamente". A conversa sobre música terminou rápido e sem grande efeito, e o compositor alemão não levou consigo "qualquer outra impressão, além da de anestesia".

Oito anos mais tarde, é a vez de Liszt visitar Wagner em Dresden. Ambos discorrem sobre arte, e agora é Wagner que cada vez mais quer falar sobre dinheiro. Liszt se transforma numa de suas fontes financeiras preferidas, ajudando em tudo que pode.
Em 1857, Richard Wagner redige um ensaio sobre os poemas sinfônicos de Liszt, que ele defende da acusação de "falta de forma". E afirma a superioridade do novo gênero diante da sinfonia tradicional, já que a literarização do repertório instrumental é o que abriria os portais para a música do futuro.
"E aqui jaz o segredo e a dificuldade, cuja solução só poderia caber a um homem eleito, altamente talentoso, o qual, além de músico completo, deve ser um poeta atento". Não há dúvida a quem Wagner se referia, declarando assim Liszt seu próprio precursor.

Ein Ölgemälde von Henry J. Thaddeus aus dem Jahre 1886 zeigt den Komponisten Franz Liszt (1811-1886), aufgenommen am 24.02.2011 im Franz-Liszt-Museum in Bayreuth (Oberfranken). Mit rund 150 Veranstaltungen unter dem Motto  
Liszt no ano de sua morte, 1886, retratado por Henry J. Thaddeus

Ouvir para julgar

O colega tão lisonjeado bateu-se ativamente pela aceitação de Wagner. Entre outras iniciativas, em 1850 Liszt regeu a estreia de Lohengrin, na qualidade de mestre de capela da corte de Weimar. Vale lembrar que, na época, Richard Wagner era procurado pela polícia alemã devido a sua participação na Revolução de 1848.
Porém quando o mestre da ópera inicia um relacionamento com Cosima, sua filha casada, a amizade entre os músicos sofre um abalo. Liszt coloca-se do lado do marido, o regente Hans von Bülow. Por fim, em 1867, os dois compositores esclarecem o assunto numa conversa. Três anos depois, estariam reconciliados como genro e sogro.
Por mais que Wagner o irritasse como pessoa, a lealdade de Franz Liszt ao colega compositor permaneceu intocada. Embora, por sua vez, o autor de Tristão e Isolda não tivesse a menor empatia com a árida "música do futuro" da última fase lisztiana. Mas isso tampouco o torna responsável pelo ostracismo a que a posteridade relegou à obra de seu protetor e mecenas.
O melhor método para uma reavaliação dessa música é escutar o Liszt desconhecido. Suas últimas peças para piano, por exemplo, deixam qualquer um de queixo caído.

Autoria: Holger Noltze / Augusto Valente

 Fonte:   http://www.dw-world.de/dw/article/0,,15479692,00.html

TEMPORADA DE ÓPERA EM MONTES CLAROS - A FLAUTA MÁGICA DE MOZART


Die Zauberflöte
A FLAUTA MÁGICA
Ópera em dois atos
Música de Wolfgang Amadeus Mozart e libreto de Emanuel Schikaneder

Composta em 1791, mesmo ano do falecimento de Mozart

Esta ópera foi escrita no séc. XVIII época em que brotava o Iluminismo ou Era da Razão, despertado por filósofos como Baruch Spinoza, John Locke, Pierre Bayle e pelo matemático Izaac Newton e cujo centro foi na França, liderados por intelectuais como Denis Diderot, Voltaire, Montesquieu e outros. Período este que se denominou Século das Luzes, onde se incutia o uso da razão e da sabedoria para se obter uma vida melhor, a fim abolir supertições cultivadas durante a Idade Média que colocava a maioria dos seres humanos numa condição limitada de pensamento e de ação, rumo a um pensamento renovado de justiça e igualdade para superar as artimanhas dos governantes e de outros poderes da época
O autor do libreto se inspirou em várias fontes literárias tais quais o conto de fadas Lulu oder Die Zauberflöte de Christoph Martin Wieland, elementos mágicos originaram-se da peça Megära de Philipp Hafner e elementos maçonicos do romance Sethos de Jean Terrasson, ambientado no Egito antigo onde se supõe seja o local do surgimento dos rituais da maçonaria.

O Papageno, vendedor de pássaros, e outras situações de humor contidas na ópera foram inspirados no teatro ppular vienense.
Os personagens principais Tamino(príncipe egípcio) e Pamina(princesa, filha da Rainha da Noite) encorajados por Sarastro(grão sacerdote de Ísis e Osíres), conselheiro que detem o poder pela sabedoria e não pela força, enfrentam e vencem as provas impostas pelo Templo da Sabedoria , conseguindo a realização de uma união ideal.

Sarastro um verdadeiro guia, mostra o caminho para conseguir autonomia e liberdade de pensamento, se contrasta com a Rainha da Noite, a vilã da história que representa tudo aquilo que o iluminismo condena ou seja, a superstição, a irracionalidade, a aristocracia, a tirania e a subordinação social e intelectual.

Dos elementos da maçonaria (da qual Mozart e Schikaneder faziam parte) o que se vê são os rituais de iniciação, provas pelas quais passam Tamino e Pamina, a fim de concretizarem o amor múto ao final da história.
A construção da música desta ópera foi inspirada no Singspiel (lit.”brincadeira cantada”), um drama musical alemão caracterizado pelo diálogo falado alternado com canções, baladas e árias que as vezes são líricas, estróficas e ora tomam formas que lembram as canções folclóricas.

Todos estes elementos acima citados aliados a genialidade musical do compositor austríaco Mozart fizeram da Flauta Mágica a melhor, mais apreciada e representada ópera do autor.
Com produção do Ensemble Lirais(cantores líricos ds gerais) do qual participam professores e alunos do Conservatório e da Unimontes, A Flauta Mágica será apresenta-da ao publico local apreciador do genero numa versão em portugues feita pelo Maestro Carlos Eduardo Prates e adaptada a nossa realidade com algumas reduções e substituição dos diálogos por narração.
A direção geral será de Maristela Cardoso que, sempre respaldada pelo Conservatório Lorenzo Fernandez, Unimontes, comunidade e amigos de Montes Claros e outras cidades, foi a responsável pela introdução do exercício da ópera na cidade e região atuando desde 1988 com a inesquecível Madame Butterfly de Puccini até os dias de hoje com a mesma garra, empenho, dedicação e amor pela causa. Ela que, além de valorizar os já consagrados cantores, incentiva e oportuniza aspirantes a fim de fortalecer e solidificar o movimento de ópera local, contribuindo de forma exemplar no engrandecimento e diversidade da nossa cultura.

De Belo Horizonte e com larga experiência no ramo, diretamente do Palacio das Artes teremos Francisco Mayrink na direção artística. É um grande nome que aqui atua desde a primeira montagem e que é admirado e respeitado pelo talento, desempenho e profundo conhecimento do genero. Será também dele o figurino desta montagem.

E de Vitória do Espírito Santo receberemos a cantora no papel da Rainha da Noite, soprano Patricia Eugenio, que vai enriquecer o elenco de cantores líricos de nossa cidade.

Teremos o cenário e a produção gráfica de Tania Artes, Efigenia Alkquimim e

Rodrigo Rodrigues que mostrarão competencia além de boa vontade e dedicação.

Assessoria de Roberto Mont’Sá e Christiane Franco e acompanhamento instrumental de Izaías Ramos, Francisco Stehling e Bete Meira.


Personagens com os respectivos intérpretes:

TAMINO(príncipe egípcio) – Fagner Cardoso(tenor)

3 DAMAS (a serviço da Rainha da Noite) Maryellen Rafael– 1ª dama (soprano)

Elizeth Oliveira - 2ª dama (soprano)

Rosane Souto - 2ª dama (meio soprano)

Christiane Franco-3ªdama(meio soprano)

PAPAGENO(caçador de pássaros) – Roberto Mont’Sá e André Rabelo (barítonos)

RAINHA DA NOITE – Mel Callado (soprano ligeiro)

MONOSTATOS(mouro a serviço de Sarastro) – Samuel Rocha (tenor)

PAMINA(princesa filha da Rainha da Noite)–Maria Odília Pimentel e Sara (soprano)

SARASTRO(grão sacerdote de Ísis e Osíris) – João Victor Correa Maciel(baixo)

PAPAGENA – Leila Brito (soprano)

Demais integrantes que participarão do coro: Jéssica(soprano),Suzana Queiroz(meio soprano), Aloísio da Cruz(tenor) e Nelson Neto( baixo-barítono)

___________________

Local: Auditório do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez

Data: 27,28,29,30 de outubro de 2011
Horário: 21:00 hs

Entrada Franca com retirada de convites no Conservatório, na Unimontes- CCH (Departamento de Artes) ou com os componentes da ópera. Será fornecido 2 convites por pessoa.

Prestigiem! Sua presença muito nos honra e dá sentido ao nosso trabalho.
___________
Mozart - A Flauta Mágica - Aria da Rainha da Noite - Der hölle rache

Metropolitan Opera.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A ARTE DE PORTINARI - REFLETINDO TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS, RETRATA QUESTÕES SOCIAIS DO BRASIL


Cronologia

1903 - Nasce em Brodósqui (Brodowski), perto de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, no dia 13 de dezembro, filho de imigrantes toscanos que trabalhavam na lavoura de café. Cândido teria dez irmãos - seis mulheres e quatro homens;

1914 - Cria sua primeira gravura, um retrato do compositor Carlos Gomes, em carvão, copiando a imagem de uma carteira de cigarros;

1919 - Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio. Em sérias dificuldades financeiras, Candinho chega a comer a gelatina química que recebe para misturar com as tintas;

1923 - Pinta "Baile na Roça", sua primeira tela de temática nacional. O quadro é recusado pelo salão oficial da Escola de Belas Artes, por fugir dos padrões acadêmicos da época;

1929 - Como prêmio do Salão Nacional de Belas Artes, que obteve com um retrato do amigo (poeta) Olegário Mariano, ganha uma bolsa de estudos em Paris. Ali, descobre Chagall, os muralistas mexicanos e sofre fortes influências do trabalho de Picasso;

1931 - Volta da França casado com a uruguaia Maria Victoria Martinelli;

1935 - Produz uma de suas obras mais famosas, "O Café" e inicia a que é considerada sua fase áurea (1935-1944);

1936 - Começa a dar aulas de pintura na Universidade do Distrito Federal;

1939 - Em 23 de janeiro nasce seu único filho, João Cândido. Cria três painéis para o pavilhão do Brasil na feira mundial de Nova York. Faz uma retrospectiva com 269 obras, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio;

1940 - O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) inaugura a exposição Portinari of Brazil

1942 - Cria painel para a Biblioteca do Congresso dos EUA;

1944 - Trabalha no polêmico altar da Igreja de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte. Muito discutida pelos religiosos, tanto por suas formas arquitetônicas quanto pelo mural de São Francisco com o cachorro, a igreja só seria inaugurada em 1950;

1945 - Filia-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidata-se a deputado federal. Não consegue eleger-se;

1946 - Termina a as obras da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte e faz o painel da sede da ONU, "Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse", com 10 por 14 metros. Expõe 84 obras em Paris. Candidata-se ao Senado pelo PCB, mas também não é eleito;

1950 - Representa o Brasil na Bienal de Veneza;

1953 - Inicia os painéis "Guerra" e "Paz", para a ONU, que terminaria em 1957;

1954 - Começa a manifestar sinais de envenenamento pelo chumbo contido nas tintas com que trabalha: sofre uma hemorragia intestinal e é internado;

1955-56 - Realiza 21 desenhos com lápis de cor para uma edição de Dom Quixote, de Cervantes. A técnica era uma alternativa tentada por Portinari para escapar à intoxicação pelas tintas;

1956 - Faz uma viagem a Israel, onde produz uma série de desenhos a caneta tinteiro;

1959 - Faz as ilustrações para uma edição francesa de "O Poder e a Glória", de Graham Greene;

1960 - Nasce sua neta Denise, e ele passa a pintar um quadro dela por mês, contrariando as recomendações médicas;

1962 - Morre no Rio de Janeiro, em 6 de fevereiro, em conseqüência da progressiva intoxicação. Na época preparava material para uma exposição no palácio Real de Milão;

Características principais de suas obras:

- Retratou questões sociais do Brasil;

- Utilizou alguns elementos artísticos da arte moderna europeia;

- Suas obras de arte refletem influências do surrealismo, cubismo e da arte dos muralistas mexicanos;

- Arte figurativa, valorizando as tradições da pintura.


Obras de Portinari - Música : Camargo Guarnieri - Dança Brasileira


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

NENHUM ARTISTA É COMPREENDIDO NO SEU TEMPO: COCO CHANEL & IGOR STRAVINSY, O FILME


Sinopse
Paris, 1913. Coco Chanel (Anna Mouglalis) comparece ao Théatre des Champs-Élysées, onde pela primeira vez o compositor russo,Igor Stravinsky (Mads Mikkelsen) apresenta sua sinfonia Rite of Spring. O espetáculo é mal recebido pelo público, que passa a vaiá-lo incessantemente. Apesar disto, Chanel fica deslumbrada com a música e deseja conhecer seu autor, o que acontece no camarim. Sete anos depois, Chanel e Stravinsky se reencontram. A situação agora é bastante diferente para ambos, já que Chanel é famosa e sofre a dor da perda de seu grande amor, Artur "Boy" Capel (Anatole Taubman), enquanto que Stravinsky vive em exílio na França, após a revolução russa. Chanel convida Stravinsky e sua família a se alojarem em sua casa, onde ele terá o conforto e a paz necessários para compor. Eles aceitam a oferta, sem imaginar que logo uma forte atração entre Chanel e Stravinsky nascerá.


Coco Chanel & Igor Stravinsky (Trailer)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

PELA LUZ DOS OLHOS TEUS




Composição: Vinícius de Moraes e Toquinho

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá
O encontro desse olhar

Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus
Me sinto incendiar

Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais larirurá

Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor
E só se pode achar
Que a luz dos olhos meus
Precisa se casar
_________

Pela luz dos olhos teus (Tom Jobim e Miucha)


sábado, 15 de outubro de 2011

AO MESTRE COM CARINHO - UMA HOMENAGEM AOS PROFESSORES

Ao Mestre, Com Carinho (To Sir, with Love)

Com esta música maravilhosa e  com o talento do Sidney Poitier  neste grande filme, homenageio a todos os professores do mundo !


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O ENCANTO DA MÚSICA TROVADORESCA


Do século XI ao século XIII, ao lado da cavalaria e das Cruzadas em seu apogeu, floresce a arte dos trovadores (Trouvères, ao Norte da França, langue d'oil; Troubadours, ao Sul, langue d'oc). Os trovadores compõem  a música, porém, deixam aos Menestréis, seus servos, a  tarefa de interpretá-las , geralmente acompanhados com a viola e a harpa. 

Os trovadores são, a princípio, nobres cavaleiros.Sòmente mais tarde é que os burgueses se distinguem.
 
Principais Troubadours:

Guilherme IX de Poiton (1087-1127)
Bernardo de Ventadorn (1145-1195)
Raimbaut de Vaqueiras (m. ap. 1207)

 
Principais Trouvères:

Ricardo Coração de Leão (m.1199)
Raul de Couci (m. 1203)
Thibaud de Navarra (1201-1253)
Adam de la Halle (1240-1287), o famoso Corcunda de Arras, autor da não menos famosa pastoral intitulada "Le Jeu de Robin et de Marion".

Os cantos dos trovadores, eram escritos em notas quadradas,  semelhantes as usadas até hoje, para o Canto Gregoriano. O rítmo dependia do verso. 

ADAM  DE  LA  HALLE - LE JEU DE ROBIN ET DE MARION



Marion Patrizia Bovi Robin Olivier Marcaud Chevalier Mauro Borgioni

Ensemble Micrologus

Patrizia Bovi canto, arpa, buccina in sol Gabriele Russo viella, buccina in fa Goffredo Degli Esposti cialamello, flauti, cornamusa
Mauro Borgioni canto Olivier Marcaud canto François Lazarevic cornamuse,flauto traverso Simone Sorini canto, guinterna, naccarini Leah Stuttard arpa

sábado, 8 de outubro de 2011

HAIKAI X - CONCERTO DA NATUREZA


Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira

Muda o aroma
Sinto toques na vidraça
Emoção da chuva

_________________________

Frederic Chopin - Prelude Op.28 no.15 in D sharp major (Raindrop) performed by Sébastien Leclair


terça-feira, 4 de outubro de 2011

ETERNAMENTE CHARLES, O CHAPLIN - FRASES E PENSAMENTOS DO GÊNIO




- Nada é permanente nesse mundo cruel, nem mesmo os nossos problemas.

- A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

- A vida é maravilhosa se não se tem medo dela.

- Não preciso me drogar para ser um gênio;
Não preciso ser um gênio para ser humano;
Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.

- A única coisa tão inevitavel quanto a morte é a vida.

- Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.

- O assunto mais importante do mundo pode ser simplificado até ao ponto em que todos possam apreciá-lo e compreendê-lo. Isso é - ou deveria ser - a mais elevada forma de arte.

- A beleza é a única coisa preciosa na vida. É difícil encontrá-la - mas quem consegue descobre tudo.

- Se matamos uma pessoa somos assassinos. Se matamos milhões de homens, celebram-nos como heróis.

- Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação.

- Se o que você esta fazendo for engraçado, não há necessidade de ser engraçado para fazê-lo.

- A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.

- Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre.

- Um dia sem rir é um dia desperdiçado.

- O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar

- O tempo é o melhor autor; sempre encontra um final perfeito.


sábado, 1 de outubro de 2011

LA CAMPANELLA DE LISZT COM O BRILHO DA INTERPRETAÇÃO DE RUBINSTEIN



Campanela ou "Campanella" é um trecho de música instrumental que lembra o repicar de sinos e foi assim foi chamado o movimento final do Concerto para Violino No. 2 em B menor de Paganini, porque a música foi reforçada por pequenos sinos.
Franz Liszt usou e escreveu várias peças com base neste movimento e a mais conhecida é o terceiro dos famosos "Grandes Estudos de Paganini"("Grand Paganini Etudes"), também conhecido como "La campanella", aquí interpretada pelo "Mago do Piano" Arthur Rubinstein.

 
Arthur Rubinstein plays "La campanella" - Liszt

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...